SLOW TOURISM

fotografia-slow-tourism-festas-da-vila-de-ancaNão vamos deixar a Vila de Ançã, sem dar a conhecer algumas das suas festas populares e religiosas, bem como algumas lendas e costumes.

Comecemos pelas Lendas e Costumes:

  • Lenda da fundação da Vila: Num dia de Verão, bem quente, no Século VII, oito monges enviados pelo Patriarca do Ocidente S. Bento, cansados da longa marcha, sentaram-se à sombra de uma árvore, numa colina, onde comeram. De seguida como era seu hábito, agradeceram a Deus um dia tão bonito bem como a sua refeição. Admiraram a pequena ribeira, a vegetação e o Monde Alto. A Sul ainda apreciaram a mancha azulada da Serra da Lousã. Nessa altura, algo insólito aconteceu, um bando de corvos negros voando em linha recta, para Norte e a dada altura mergulharam num certo ponto da floresta, a que os monges atribuíram um sinal do Senhor que aquele seria um excelente local para o estabelecimento do povoado.  E assim nasceu Ançã.
  • Lenda da construção da Capela de São Bento: Um certo dia, uma mulher humilde dirigiu-se à furna de uma encosta para ir buscar casira (calcário que se esfarela e quando misturado com água pavimenta lareiras, eiras e as divisões térreas das habitações mais humildes). Aí viu uma imagem de São Bento, o que lhe causou grande espanto, correu para a Vila a contar o sucedido. O Padre organizou logo uma procissão para ir buscar a imagem do Santo e colocou-a no altar da Igreja Matriz, qual não foi o espanto quando no dia a seguir verificaram que a imagem do Santo tinha desaparecido. Foi organizada uma busca, e a imagem foi encontrada no local onde a mulher a tinha encontrado. Organizou-se nova procissão, mas esta desapareceu novamente e assim sucessivamente. Assim se chegou à conclusão que era aí que S. Bento queria ficar sendo aí construída a Capela.
  • Lenda do Marquês de Cascais: Reza a lenda  que o Marquês de Cascais, desterrado na sua casa em Ançã, por ordem de D. Pedro II, um dia sentiu grandes saudades do seu Palácio em Lisboa. Mandou então juntar uma grande quantidade de terra de Ançã. Com uma parte desta cobriu o estado da liteira que o levou a Lisboa e a outra levou-a para o seu Palácio onde a distribuiu pelo chão das salas. A dada altura D. Pedro teve conhecimento que o Marquês tinha abandonado o desterro e interrogado sobre o sucedido respondeu assim: “desde o meu desterro não deixei de calcar e por o pé em terra do degredo”.
  • Relíquia do pão e queijo: As festas de Aniversário de São Bento prolongavam-se até altas horas, tendo os Padre o costume de levar para si pão e queijo. As crianças não resistiam ao vê-los comer e estes começaram a dividir a merenda com eles. Daqui nasceu o costume de distribuir após as cerimónias religiosas pão e queijo a todos os fiéis. Os adultos começaram a ver esta dádiva como uma relíquia e começaram a guardá-la a dizer que por virtude do Santo, a relíquia não apanhava bolor, é verdade que o pão fica de um ano para o outro e não apresenta manchas de bolor.

Festas populares e religiosas:

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Capela de São Sebastião

Em Janeiro, pode participar da Festa do Mártir São Sebastião, com raízes que se perdem no tempo. Os festejos estão directamente relacionados com a chegada à idade adulta, e todos os anos em Janeiro, a vila assiste aos jovens a assumirem a responsabilidade de honrar o Santo

 

 

 

bolo-de-anca-slow-tourismEm Março pode assistir à Feira do Bolo de Ança,  que se realiza anualmente,um dos ex libris da Vila. Esta tem como objectivo principal preservar o produto único e genuíno e preservação do método tradicional de confecção desta iguaria.

imagem-slow-tourism-anca-procissaoJá em Julho, entre 25 e 30 do mesmo, pode ficar a conhecer a Festa do Arraial de São Tomé, o seu programa é composto por várias cerimónias religiosas e profanas, das quais tem destaque a bênção do gado na Capela de manhã e na parte da tarde tem lugar o cortejo de carros alegóricos as marchas com as mais variadas coreografias e as cavalhadas que vão em romaria até à Capela de São Tomé, no dia 25.

nascente-de-anca-slow-tourismJá no mês de Setembro, pode ainda participar da Festa do Senhor da Fonte. Estes festejos têm uma particularidade – a festa da Feijoada do Senhor da Fonte, esta é servida ao lado da nascente, no recinto da Festa. Além da Feijoada, há também muita animação, etnografia, etc.

Assim terminamos esta pequena viagem por Ançã.

 

 

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SLOW FASHION

“Consciência dos produtos que consumimos, retomando a conexão com a maneira como são produzidos e valorizando a diversidade e a riqueza das nossas tradições”

Ao incorporarmos a Filosofia Slow no nosso dia-a-dia, somos convidados a desenvolver uma consciência ética, uma vez que esta obedece a princípios éticos e sustentáveis. A sua estratégia de moda têm o objectivo de proteger e melhorar a utilização dos recursos humanos e naturais, fundamentais para o nosso futuro e sobrevivência.

Já anteriormente referimos  que os valores que se promovem não são uniformes e devem ser adaptados, pois se assim não fosse estaríamos novamente a massificar o que não é de todo o objectivo desta filosofia de vida. A abordagem do Slow Fashion define-se da seguinte forma: diversidade em oposição à produção em massa, global-local em oposição à globalização, auto-consciência em oposição à imagem, simbiose em oposição ao parasitismo, confecção e manutenção para um ciclo de vida longo ao invés da novidade constante, preço real incorporado nos custos sociais e ecológicos em oposição ao custo baseado em mão de obra e materiais, fortalecimento do tecido social e valorização do território em oposição à fragilização do tecido social, produção em pequena, média-escala sustentável em oposição ao insustentável.

Cada peça de roupa tem uma história, é uma peça de arte. Se passarmos a olhar desta maneira para cada peça de roupa iremos aprender a valorizá-la e deixaremos de ter a tentação de consumir a moda de uma forma voraz como se não houvesse amanhã. VALORIZAÇÃO palavra chave. O facto de conhecermos a origem daquilo que vestimos, a sua história, irá ter como consequência o valorizá-los de forma completamente diferente, com a consequência importantíssima de valorizarmos também de forma diferente o lugar onde vivemos (o nosso Mundo) e as pessoas envolvidas.

Já anteriormente chamamos a atenção para a importância da diversidade no Movimento da Slow Fashion. Os produtores esforçam-se por manter a diversidade ecológica, social e cultural. Ao encorajar modelos diversos e independentes, surgem os designers independentes, a roupa em 2ª mão, vintage, vestuário reciclado, etc.

Impõe-se então a pergunta como é que podemos incorporar a Filosofia Slow no nosso dia-a-dia? Apoiando os designers e marcas mais pequenas e locais, uma vez que as  peças assim produzidas são especiais, originais, confeccionadas  de maneira mais artesanal e não precisaram de viajar quilómetros e quilómetros até chegar à sua mão.

Temos como objectivo dar a conhecer algumas marcas que já incorporam na sua filosofia empresarial alguns dos princípios Slow:

CHANGE – marca que produz peças de roupa vintage (principalmente modelos jeans icónicos), reinterpretando-as com apliques, acessórios e novos padrões.

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Fotografia by Change

 

A sua fundadora Marta Leitão, nasceu em Lisboa, estudou comunicação Social na Universidade Católica, e sempre sentiu fascínio pela internet  bem como a comunicação on-line, tendo desenvolvido a sua vida profissional nesta área. Mas em simultâneo a moda sempre foi algo a que dedicou parte do seu tempo, uma vez que era ela que alterava a sua roupa e também era ela que vestia as suas amigas quando iam a casamentos. Lançou a marca Change em 2012, marca de peças de roupa em 2ª mão e vintage personalizada. A Marta acredita que cada peça tem uma história, e o seu objectivo é dar à versão original da roupa vintage, uma segunda vida, uma história mais divertida.

A escolha do nome da sua empresa está ligada à sua mudança pessoal. “Change” tem a ver com o trabalho que vai fazer às suas peças, dar-lhes uma nova vida.  A proposta da Change é a de reaproveitar peças, acrescentando-lhes pormenores que as tornam especiais e diferentes. Em suma, contam uma nova história.

Para se inspirar, Marta faz pesquisa de desfiles e grandes criadores. Também busca inspiração em imagens, viagens e música, uma vez que são formas de arte que a inspiram diariamente.

Marta compra as peças a fornecedores de roupa vintage e cada peça sofre depois um processo criativo de forma a adaptá-la às tendências actuais.

Os calções , são a imagem de marca da Change, embora a empresa se dedique à transformação de outras peças de vestuário.

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Fotografia by Change

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Fotografia by Change

 

SLOW BEAUTY

SLOW BEAUTY – Uma beleza mais natural

Slow Beauty promove a muito esperada e necessitada comunhão com o “nosso eu”. Este movimento é uma marcha em direcção a um estilo de vida mais responsável por contraponto a um estilo de vida que se tornou rápido de mais.

O Movimento do Slow Beauty é a antítese do mundo acelerado da indústria da cosmética que nos “vende” rápidas melhorias, resultados imediatos e opções invasivas. Esta perspectiva que está cada vez mais ultrapassada, têm-nos feito acreditar que o importante é lutarmos contra a idade e contra o tempo. Nada mais errado. Se procurarmos adoptar a filosofia do Slow Beauty, no nosso dia-a-dia, estaremos mais perto de alcançar o equilíbrio entre a beleza, a busca  da juventude, o bem estar e a espiritualização da beleza.

Quando na década de 90s, os ácidos  glicólicos, começaram a ser usados em força na Indústria Cosmética, passou a estar fora de moda a importância da preservação a integridade física ao longo da vida. A valorização da alimentação, da  água e do exercício físico, na saúde da pele passaram a ser conceitos pitorescos e fora de moda.

Já Madame Michelline Arcier, famosa aromaterapista, afirmou “A beleza de um rosto não pode ser alcançada sem um sentimento de bem-estar, um corpo saudável e uma harmonia interior.”

As teorias do Fast Beauty e formas de estar associadas a elas, provaram estar erradas. Tal como a Fast Food faz mal à saúde, também a Fast Beauty tem os seus inconvenientes. Um dos princípios basilares do Slow Beauty é a de que a alimentação é fundamental para um corpo saudável, e é muito importante em todos os aspectos da vida. É ela que suporta o nosso bem estar, energia, alegria e aparência.

Seguir algumas regras, será uma forma de alcançarmos este bem-estar tão fundamental à nossa vida:

  • Mantera tradição dos SPAS – O SPA (deriva do latim – saúde através da água) tem as suas raízes numa tradição antiga de bem-estar.
  • Importância dos rituais –  Transportar alguns rituais do Spa para o nosso Lar, será uma maneira de alcançar uma prática de beleza integrada.
  • Renovação – Os nossos corpos estão inundados de muita comida, muita actividade e muita pressão. É fundamental adquirirmos hábitos de sono saudáveis, como forma de de restaurarmos os nossos ritmos naturais.
  • Mente alimentada – Além do corpo, devemos alimentar a mente.
  • Auto-expressão – Devemos partilhar os nossos dons e talentos. Quanto mais criativos  formos, mais melhoramos esse dom. A criatividade eleva a auto-estima. Se partilharmos a nossa criatividade ajudamos os outros a sê-lo também e tornamos-nos no catalisador da mudança.
  • Meditação – Este é o ingrediente secreto para desacelerar o processo de envelhecimento. Necessitamos de tirar algum tempo diariamente para reduzir o stress que acumulamos. Existem estudos que demonstram que uma meditação regular reduz os sinais de envelhecimento sete a treze anos.
  • Prática de um consumo consciente – Devemos alterar os nossos hábitos de consumo. Estes devem ser baseados na autenticidade, apoiando tanto quanto possível o comércio justo, saber dar de volta, ter preocupações com a gestão ambiental e utilizar ingredientes mais seguros.

Em conclusão o Slow Beauty promove uma beleza mais natural, e traz-nos de volta receitas tradicionais e menos tóxicas de cuidados para a pele e o cabelo. Se já adoptou uma alimentação mais saudável, mas o seu estojo de beleza está repleto de produtos tóxicos, chegou a hora de começar a prestar mais atenção aos rótulos na altura de comprar os produtos de beleza, pois não devemos esquecer que a pele é o maior órgão do corpo humano, e tudo o que usamos nela, passa para a corrente sanguínea.

Também podemos optar por fazer alguns dos nossos produtos e agora que se aproxima o fim de semana porque não aproveitar para experimentar fazer este creme hidratante livre de substâncias químicas tóxicas:

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Ingredientes:

  1. 2 chávenas de óleo de amêndoas doces (ou óleo de abacate)
  2. 3 chávenas de água de rosas (ou chá a seu gosto, água destilada,etc)
  3. 1 chávena de cera de abelha
  4. 2 chávenas de óleo de coco
  5. 2 chávenas de amido de milho

Preparação:

  • Derreta todos os ingredientes, com excepção da água de rosas e do amido de milho;
  • Depois aqueça a água de Rosas até que esta ferva e dissolva o amido de milho:
  • Ponha a água de rosas dentro do liquidificador e acrescente a mistura que derreteu ao lume. (Se quiser acrescentar mel agora é a altura indicada)
  • Repita este processo até a mistura ficar homogénea.
  • Coloque a mistura no frigorífico 5 a 10 minutos.
  • Retire e volte a introduzir no liquidificador e repita o processo até a mistura ficar homogénea.
  • Guarde o creme, num frasco esterilizado, com tampa.

 

 

 

SLOW TOURISM

moinho-e-piscina-de-ancaContinuamos esta semana a passear pela bonita Vila de Ançã, visita essa que proporcionará ao Slow Traveler qualidade ao tempo das suas férias.

Já dizia Jaime Cortesão: “o que dá porem carácter à pequena vila, além da sua abundância de calcário – a célebre pedra de Ançã – matéria-prima da arquitectura e escultura artística por todo o Portugal, é esse ar, juntamente rústico e fidalgo, árido e fresco, e mais que tudo antigo que exalam ruas, templos e palácios.”

Ançã – nome de origem romana, deve o seu nome aos monges italianos devido à abundância de água e de caça. O nome provém do termo italiano abbondanza, que deriva do termo latino Anzana, e que como o nome indica significa abundância.

A Vila é habitada desde o tempo dos romanos e ainda hoje podemos encontrar alguns vestígios, como por exemplo o Lagar de Azeite bem como os Arcos que se situam na traseira do Moinho.

Ançã tem água em abundância, o que permitiu a construção de vários moinhos nas margens da Ribeira. Este potencial energético foi aproveitado como meio de subsistência, locomoção e irrigação, na agricultura bem como no accionamento dos moinhos, o que contribuiu para variadíssimos recursos na Idade Média, uma vez que os cereais constituíam a base alimentar das populações.

Actualmente  ainda existem 6 moinhos na Vila, dos quais dois ainda funcionam, a saber o Moinho da Fonte (representado na primeira fotografia) e o Moinho da Farinha de Milho. Na mesma zona situa-se a piscina de Ançã, que foi construída em 1989, que é cheia no Verão com a água da Fonte de Ançã, também conhecida pela Fonte dos Castros, mandada construir pelo Donatário da Vila D. Álvaro Pires de Castro, em 1674, razão pela qual ostenta o seu brasão.

A fonte é coberta por uma abóbada com telhado, assente em três arcos rusticados, em arquitectura civil romana. A água da Fonte, alimenta o moinho. A sua nascente é caudalosa e ainda hoje se podem ver as lavandeiras a lavar a sua roupa nas margens.

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Não se pode falar em Ançã, sem referir a sua famosa pedra. A Pedra de Ança – calcário olitico, com 174 milhões de anos, pedra branca sem veios, muito macia, o que a torna fácil de trabalhar. Adquire uma patine lisa, simples, “como se tivesse  um leite hidratante” – como dizia o escultor José Plácido. A pedra tem sido utilizada, desde a ocupação do território pelos Romanos e exportada para obras de arte em países de diversos Continentes.

Como é expectável uma das características da construção da Vila é a utilização da sua Pedra. Foi utilizada para a construção da Igreja do Século XV, bem como a maior parte  das construções da zona, a Capela de São Bento, o Pelourinho e a Fonte de Ançã.

Não podemos deixar a Vila sem fazer uma visita a mais um dos seus locais emblemáticos.  O Museu Etnográfico de Ançã, situado na parte mais antiga da Vila. Está inserido numa casa de habitação, construída nos finais do Século XVII, inicio do Século XVIII, que apresenta no seu exterior janelas de guilhotina com aventais de pedra branca. O Museu recria uma casa típica:

  • No primeiro andar vivia a família
  • no rés do chão, eram guardados os animais.

Actualmente quem visitar o Museu, poderá apreciar as vivências dos ançanenses do inicio do século XX, com a recriação de uma cozinha e um quarto, enquanto no piso inferior encontrará exposições de alfaias agrícolas, brinquedos, trajes do Rancho, etc.

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Slow Reading

slow-reading-iiiSlow Reading – viajar pelo mundo, no presente, passado e futuro, lendo.

Ao lermos um bom livro, transportamos-nos para  uma outra realidade, conseguimos fazer uma pausa no stress do nosso dia a dia. Antes mesmo e iniciarmos a leitura, começamos a relaxar e a desligarmos-nos dos problemas exteriores. Entramos na ante-câmara do prazer. Ler por prazer afasta-nos dos problemas e ajuda-nos a ver as coisas sobre outra perspectiva.

As vantagens do Slow Reading são imensas:

  • Melhoria da criatividade – A leitura estimula o lado direito do nosso cérebro, aumenta a nossa imaginação e ajuda-nos a ver as coisas de uma forma diferente. Se aprendermos a usar a nossa imaginação, libertamos a criatividade para outras áreas da nossa vida.
  • Inspiração e motivação – Alguns livros tem o condão de nos inspirar e motivar para fazer mais das nossas vidas. Mostram-nos que é possível. Todos nós temos consciência de que podemos realizar grandes feitos e ao lermos bons livros ganhamos consciência das nossas qualidades.
  • Diversão e gargalhada – O que é a diversão? É a actividade que nos diverte e que capta a nossa atenção. A ficção tem essa capacidade, pode fazer-nos rir, chorar, aterrorizar-nos ou fazer-nos sentir qualquer emoção que queiramos. Antes do advento da televisão, a leitura era uma das formas mais populares de diversão. Ainda hoje podemos fazer-nos acompanhar de um livro numa viagem de comboio, de autocarro, podemos levá-lo connosco quando vamos de férias ou tê-lo na mesa de cabeceira. Podemos começar a ler um livro a qualquer hora, interromper e acabar de lê-lo quando quisermos.
  • Perspectivas mais amplas e abertura da mente – Ao lermos sobre pessoas de culturas diferentes,  que tenham perspectivas diferentes da vida ou que tenham vivido em épocas diferentes da nossa, podemos tomar consciência do que seria a nossa vida se fossemos outra pessoa. Podemos até “calçar os sapatos de outra pessoa” que a qual nem nos identificamos. Ao vivermos esta experiência através destes caracteres com a nossa imaginação, aprendemos a ser mais tolerantes e mais abertos a conhecer novas pessoas  e ideias. A nossa perspectiva de vida só pode melhorar.

O Slow Reading é muito mais do que desacelerar, embora seja uma parte. Para compreender uma obra, é importante criar uma intimidade com o autor, prestar atenção, importar-se, reler e saborear o que lemos. Encontrar o passo certo. Devemos dar mais valor ao prazer do que à eficiência. Não se pense que esta é uma ideia nova, a expressão Slow Reading já tinha sido usada pelo filosofo Friedrich Nietzche, que em 1887, se auto-denominava “um professor do Slow Reading.”

A leitura faz parte dos meus hábitos diários, quer profissional quer por puro prazer. E é da diversão que vamos falar daqui em diante. Cada um de nós, gosta de ler vários tipos de livros diferentes, dependendo muitas vezes do nosso estado de espírito. Antes de começar a ler um livro procuro saber alguma informação sobre o autor,  o tempo em que viveu, um pouco da sua história de vida, o estilo de escrita, o modus operandi, as influências, o processo de criação, a execução das obras, pois dessa forma começo a apreender aquilo que o autor pretende transmitir.

Em posts posteriores irei falar de alguns destes autores e o que me seduz na sua escrita e o que pude aprender com cada um.

Slow food

massa-do-bolo-de-ancaA essência da Slow Food consiste em trabalhar em prol da qualidade dos alimentos, produtos alimentares e comidas, processos e técnicas de cultivo e processos herdados por tradição. Defende também as espécies vegetais e animais domésticos e selvagens.

Promove o alimento bom, limpo e justo. Este deve ser saboroso, produzido de um modo que respeite o ambiente e o preço pelo qual é comercializado deve ser justo quer para o produtor como para o consumidor. Este também deve ser bem informado sobre o que está a consumir.

A Slow Food e a incorporação dos seus princípios conduzirá à protecção das identidades culturais ligadas às tradições alimentares e gastronómicas. Hoje já se começa a defender a ideia que a gastronomia integra a cultura de um país ou região, embora esta forma de valorizar a gastronomia, já tinha tido defensores antes do nascimento do movimento Slow Food, por exemplo Fialho de Almeida (1857-1911) (jornalista e escritor pós-romântico português), já tinha alertado para a importância da cozinha quando escreveu “Um povo que defende os seus pratos nacionais defende o seu território”. Esta noção de património, implica uma conotação temporal, de herança, algo que passa de pais para filhos, que deve ser salvaguardado e transmitido puro.

No ultimo post publicado,iniciamos uma viagem Slow pela Vila de Ança, e hoje por aqui vamos continuar pois visitar Ançã é viajar na História. Vamos dar a conhecer um dos seus produtos gastronómicos mais típicos e famosos.

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A origem do Bolo de Ançã perde-se no tempo. A receita original bem como o seu segredo, tem sido transmitido de geração em geração. Tem sido mantida a sua fórmula baseada em ingredientes vulgares, como os ovos, a farinha,o açúcar e a margarina. Ser amassado à mão e cozido em forno de lenha são factores essenciais para garantir a sua qualidade.

Produto típico desta Vila, muito conhecido e apreciado na Beira Litoral.  Já Jaime Cortesão (médico, politico, escritor e historiador, nascido na Vila de Ançã) escrevia na Comarca de Cantanhede a 9 de Setembro de 1933 “Ançã tem ultimamente sido muito falada em Lisboa, quem o havia de dizer por causa dos seus magníficos bolos (…) muitas tem sido as visitas que no regresso à capital levam os carros carregados da esplêndida lambarice.”

São três as variedades do Bolo de Ançã:

  • Bolo de ovos (é o autentico Bolo de Ançã)
  • Bolo de cornos (também denominados de cornudos)
  • Bolo fino (também chamado de bolo de Cantanhede, embora aja quem conteste esta denominação)

Em tempos idos estes bolos eram obrigatórios nos casamentos. Faziam parte das ofertas dos noivos aos convidados. A oferta consistia em: bolos de Ançã, arroz doce, uma caçoila de arroz de cabidela e os já referidos cornos (confeccionados com uma massa semelhante à dos Bolos de Ançã, mas levam canela e tem uma forma alongada)bolo-cornudo-anca

Ainda hoje se mantêm a tradição dos noivos oferecerem aos convidados os Bolos de Ançã e os cornos. (mas sem o carácter de obrigatoriedade)

O fabrico tradicional tem sido mantido através de várias gerações de boleiras sendo uma das imagens típicas da Vila, ver os viajantes e turistas comprarem às boleiras que se encontram à beira da estrada com os seus açafates cheios de bolos. Os açafates, são representativos e imagem de marca, da marcação dos locais de fabrico e sua comercialização – “do forno directamente para a mão do consumidor”

Receita (as quantidades podem ser adaptadas, atendendo às necessidades, para a sua confecção):

  • 1 kg de farinha peneirada
  • 12 ovos
  • 200 gr de margarina
  • 250 ml de água morna
  • 375 gr de fermento de padeiro

Desfaça o fermento num pouco de água morna, depois faça um monte com a farinha e junte a água com o fermento aos poucos. Deixe descansar durante 10 minutos.

De seguida bata 6 ovos com metade do açúcar e adicione aos poucos a massa da farinha. Adicione os restantes ovos e o açúcar um de cada vez, com um pouco de açúcar.

Derreta a margarina e junte-a ao preparado anterior até obter uma massa lisa, elástica e homogénea.

Depois coloque a massa num recipiente grande, cubra e deixe a levedar num ambiente ameno. Quando a massa dobrar o volume, modele os bolos e leve-os ao forno.

Deixe crescer novamente, coza em forno quente, até ficarem dourados

SLOW TOURISM

ancaO Slow Traveler, ao viajar tem em mente,  conhecer o local que escolheu para “viver” nas férias e isso envolve um conhecimento da História e tradições do lugar eleito. Mais do que uma forma de viajar o Slow Tourism é uma filosofia de vida. Aprender a desacelerar, para viver mais e melhor. Estar presente.

O Slow Travel incentiva a conexão com as pessoas, os lugares bem como com a história e cultura do local. O grande objectivo do Slow Traveler é viver uma experiência especial. Qualquer um pode realizar uma viagem “Slow” sendo suficiente ter o desprendimento necessário para abrir mão de visitar tudo em troca do privilégio de viajar sem pressa.

A partir de hoje vamos iniciar uma viagem Slow pela Vila de Ança, freguesia de concelho de Cantanhede.

Não existem respostas precisas, sobre a questão, desde quando é esta localidade habitada pelo Homem, dada a escassez de fontes. Contudo vestígios existentes permitem afirmar a presença do Homem desde o Neolítico.

Com segurança, pode afirmar-se que Ançã era uma “antiga povoação fluorescente”, à altura dos Romanos.

Após a Reconquista Cristã, Ançã já era um povoado cristão como referido em documento datado de 937. À altura da reconquista definitiva de Coimbra, embora Ançã não fosse uma vila régia, integrava o território de Coimbra, situação que se manteve até ao Reinado de D. Fernando, que em 1371 assinou um documento que a elevou a vila, concedendo-lhe privilégios, regalias e demarcando-lhe a extensão do seu território.

Em 1540, é concedido novo foral. Era costume os Reis recompensarem Senhores pelos serviços por estes prestados ao Reino, dando-lhes terras, Ançã não fugiu à regra e foi outorgada a fidalgos, até que em 1863, Mouzinho da Silveira acabou com os Senhorios.

O século XIX foi algo atribulado, uma vez que após as invasões francesas, no inicio do liberalismo, deram-se inicio às reformas administrativas, o que teve por consequência a perda de algumas freguesias. A 31 de Dezembro foi extinto o concelho de Ançã, sendo criada a freguesia de Ançã e foi integrada no concelho de Cantanhede situação que se mantém até aos dias de hoje. Mas é também neste século que os viajantes começam a frequentar esta região para comerem o famoso Leitão à Bairrada e saborearem os seus afamados vinhos.

Um dos locais de paragem obrigatória do visitante é o seu nobre e preservado centro histórico. Este é formado por um complexo arquitectónico de valor inquestionável, erguido pelo Marquês de Cascais no Século XVII. Aí se construiu  o Palácio, a Capela do Senhor da Fonte e procedeu-se também à remodelação da Igreja Matriz de Ançã (A capela mais antiga da Igreja data do século XVI, mas nos finais do século XVIII, inicio do século XIX, foi alvo de uma grande intervenção, devido ao seu estado degradado. No seu retábulo principal foi utilizada Pedra de Ançã)

Com relevância para visitar,  encontramos também alguns dos elementos patrimoniais que conferem uma identidade muito própria ao seu núcleo urbano central como por exemplo: o Pelourinho (Todo em Pedra e Ançã, com cerca de 5 metros de altura, de estilo barroco.); o antigo Solar dos Neivas (erguido nos finais do século XIX, é um dos imóveis mais imponentes de Ançã e um dos mais representativos da fidalguia ançanense); os Arcos do Palácio do Marquês de Cascais (Este imóvel setecentista de planta regular exibe no seu alçado principal janelas de avental, feitas em pedra da região); a fonte de Ançã (ou Fonte dos Castros, foi mandada erguer em 1674, pelo Marquês de Cascais e Senhor da Vila de Ançã, razão pelo qual este ostenta o Brasão dos Castros) e as Janelas Manuelinas (janelas que podem ser apreciadas no Centro da Vila).