SLOW TOURISM

moinho-e-piscina-de-ancaContinuamos esta semana a passear pela bonita Vila de Ançã, visita essa que proporcionará ao Slow Traveler qualidade ao tempo das suas férias.

Já dizia Jaime Cortesão: “o que dá porem carácter à pequena vila, além da sua abundância de calcário – a célebre pedra de Ançã – matéria-prima da arquitectura e escultura artística por todo o Portugal, é esse ar, juntamente rústico e fidalgo, árido e fresco, e mais que tudo antigo que exalam ruas, templos e palácios.”

Ançã – nome de origem romana, deve o seu nome aos monges italianos devido à abundância de água e de caça. O nome provém do termo italiano abbondanza, que deriva do termo latino Anzana, e que como o nome indica significa abundância.

A Vila é habitada desde o tempo dos romanos e ainda hoje podemos encontrar alguns vestígios, como por exemplo o Lagar de Azeite bem como os Arcos que se situam na traseira do Moinho.

Ançã tem água em abundância, o que permitiu a construção de vários moinhos nas margens da Ribeira. Este potencial energético foi aproveitado como meio de subsistência, locomoção e irrigação, na agricultura bem como no accionamento dos moinhos, o que contribuiu para variadíssimos recursos na Idade Média, uma vez que os cereais constituíam a base alimentar das populações.

Actualmente  ainda existem 6 moinhos na Vila, dos quais dois ainda funcionam, a saber o Moinho da Fonte (representado na primeira fotografia) e o Moinho da Farinha de Milho. Na mesma zona situa-se a piscina de Ançã, que foi construída em 1989, que é cheia no Verão com a água da Fonte de Ançã, também conhecida pela Fonte dos Castros, mandada construir pelo Donatário da Vila D. Álvaro Pires de Castro, em 1674, razão pela qual ostenta o seu brasão.

A fonte é coberta por uma abóbada com telhado, assente em três arcos rusticados, em arquitectura civil romana. A água da Fonte, alimenta o moinho. A sua nascente é caudalosa e ainda hoje se podem ver as lavandeiras a lavar a sua roupa nas margens.

fonte-de-anca

Não se pode falar em Ançã, sem referir a sua famosa pedra. A Pedra de Ança – calcário olitico, com 174 milhões de anos, pedra branca sem veios, muito macia, o que a torna fácil de trabalhar. Adquire uma patine lisa, simples, “como se tivesse  um leite hidratante” – como dizia o escultor José Plácido. A pedra tem sido utilizada, desde a ocupação do território pelos Romanos e exportada para obras de arte em países de diversos Continentes.

Como é expectável uma das características da construção da Vila é a utilização da sua Pedra. Foi utilizada para a construção da Igreja do Século XV, bem como a maior parte  das construções da zona, a Capela de São Bento, o Pelourinho e a Fonte de Ançã.

Não podemos deixar a Vila sem fazer uma visita a mais um dos seus locais emblemáticos.  O Museu Etnográfico de Ançã, situado na parte mais antiga da Vila. Está inserido numa casa de habitação, construída nos finais do Século XVII, inicio do Século XVIII, que apresenta no seu exterior janelas de guilhotina com aventais de pedra branca. O Museu recria uma casa típica:

  • No primeiro andar vivia a família
  • no rés do chão, eram guardados os animais.

Actualmente quem visitar o Museu, poderá apreciar as vivências dos ançanenses do inicio do século XX, com a recriação de uma cozinha e um quarto, enquanto no piso inferior encontrará exposições de alfaias agrícolas, brinquedos, trajes do Rancho, etc.

museu-etnografico-do-grupo-tipico-de-anca-2-1museu-etn-anca

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s