Slow food

massa-do-bolo-de-ancaA essência da Slow Food consiste em trabalhar em prol da qualidade dos alimentos, produtos alimentares e comidas, processos e técnicas de cultivo e processos herdados por tradição. Defende também as espécies vegetais e animais domésticos e selvagens.

Promove o alimento bom, limpo e justo. Este deve ser saboroso, produzido de um modo que respeite o ambiente e o preço pelo qual é comercializado deve ser justo quer para o produtor como para o consumidor. Este também deve ser bem informado sobre o que está a consumir.

A Slow Food e a incorporação dos seus princípios conduzirá à protecção das identidades culturais ligadas às tradições alimentares e gastronómicas. Hoje já se começa a defender a ideia que a gastronomia integra a cultura de um país ou região, embora esta forma de valorizar a gastronomia, já tinha tido defensores antes do nascimento do movimento Slow Food, por exemplo Fialho de Almeida (1857-1911) (jornalista e escritor pós-romântico português), já tinha alertado para a importância da cozinha quando escreveu “Um povo que defende os seus pratos nacionais defende o seu território”. Esta noção de património, implica uma conotação temporal, de herança, algo que passa de pais para filhos, que deve ser salvaguardado e transmitido puro.

No ultimo post publicado,iniciamos uma viagem Slow pela Vila de Ança, e hoje por aqui vamos continuar pois visitar Ançã é viajar na História. Vamos dar a conhecer um dos seus produtos gastronómicos mais típicos e famosos.

bolo-de-anca-ii

A origem do Bolo de Ançã perde-se no tempo. A receita original bem como o seu segredo, tem sido transmitido de geração em geração. Tem sido mantida a sua fórmula baseada em ingredientes vulgares, como os ovos, a farinha,o açúcar e a margarina. Ser amassado à mão e cozido em forno de lenha são factores essenciais para garantir a sua qualidade.

Produto típico desta Vila, muito conhecido e apreciado na Beira Litoral.  Já Jaime Cortesão (médico, politico, escritor e historiador, nascido na Vila de Ançã) escrevia na Comarca de Cantanhede a 9 de Setembro de 1933 “Ançã tem ultimamente sido muito falada em Lisboa, quem o havia de dizer por causa dos seus magníficos bolos (…) muitas tem sido as visitas que no regresso à capital levam os carros carregados da esplêndida lambarice.”

São três as variedades do Bolo de Ançã:

  • Bolo de ovos (é o autentico Bolo de Ançã)
  • Bolo de cornos (também denominados de cornudos)
  • Bolo fino (também chamado de bolo de Cantanhede, embora aja quem conteste esta denominação)

Em tempos idos estes bolos eram obrigatórios nos casamentos. Faziam parte das ofertas dos noivos aos convidados. A oferta consistia em: bolos de Ançã, arroz doce, uma caçoila de arroz de cabidela e os já referidos cornos (confeccionados com uma massa semelhante à dos Bolos de Ançã, mas levam canela e tem uma forma alongada)bolo-cornudo-anca

Ainda hoje se mantêm a tradição dos noivos oferecerem aos convidados os Bolos de Ançã e os cornos. (mas sem o carácter de obrigatoriedade)

O fabrico tradicional tem sido mantido através de várias gerações de boleiras sendo uma das imagens típicas da Vila, ver os viajantes e turistas comprarem às boleiras que se encontram à beira da estrada com os seus açafates cheios de bolos. Os açafates, são representativos e imagem de marca, da marcação dos locais de fabrico e sua comercialização – “do forno directamente para a mão do consumidor”

Receita (as quantidades podem ser adaptadas, atendendo às necessidades, para a sua confecção):

  • 1 kg de farinha peneirada
  • 12 ovos
  • 200 gr de margarina
  • 250 ml de água morna
  • 375 gr de fermento de padeiro

Desfaça o fermento num pouco de água morna, depois faça um monte com a farinha e junte a água com o fermento aos poucos. Deixe descansar durante 10 minutos.

De seguida bata 6 ovos com metade do açúcar e adicione aos poucos a massa da farinha. Adicione os restantes ovos e o açúcar um de cada vez, com um pouco de açúcar.

Derreta a margarina e junte-a ao preparado anterior até obter uma massa lisa, elástica e homogénea.

Depois coloque a massa num recipiente grande, cubra e deixe a levedar num ambiente ameno. Quando a massa dobrar o volume, modele os bolos e leve-os ao forno.

Deixe crescer novamente, coza em forno quente, até ficarem dourados

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