SLOW FASHION

slowfashion-fotografia-2“A industria da moda é hoje uma das actividades que mais estragos causa ao ambiente embora seja uma das expressões mais belas e fundamentais da arte humana”

A moda hoje está em permanente mudança. Nas ultimas décadas, em grande medida devido aos avanços tecnológicos conquistados, assiste-se a uma mudança mais célere, encurtando o tempo desde a concepção até à chegada à loja. A isto tem-se denominado Fast Fashion. A cada estação, altera-se o estilo, a cor preferida, a silhueta, o fabrico,etc, criando artificialmente a ideia que as peças da anterior estação passaram de moda. Esta tendência baixa a qualidade do produto, uma vez que  é suposto só ser usado durante uma estação. Esta produção em massa globalizada, que consegue em poucas semanas desenhar, produzir, comercializar, vendida a preços muito baixos leva os consumidores a consumir mais do que realmente precisam. Este super consumo traz uma factura escondida que é paga pelo ambiente, consumidores e as pessoas que trabalham na indústria.

O constante uso de recursos naturais, está a contribuir para a depleção de combustíveis fósseis, utilizados na confecção e no transporte de têxteis e vestuário. Utilização de uma quantidade cada vez maior de água para a irrigação do algodão. A Fast Fashion  com este comportamento está a introduzir de forma sistemática no meio ambiente quantidades cada vez maiores, de compostos tóxicos tais como pesticidas e fibras sintéticas, aumentando significativamente a sua presença na natureza. Como resultado, alguns recursos naturais estão em risco e as florestas e eco-sistemas estão a ser danificadas e destruídas, tendo como consequência desertificações, inundações e por fim alterações climáticas que estão a afectar a sociedade.

Se não quisermos ser cúmplices desta destruição,  temos que redefinir as práticas instáveis, da nossa sociedade, incluindo a da industria da moda. Esta mudança a ser conseguida, provavelmente resultará num retorno do equilíbrio, onde o comportamento societário não estará em conflito com os recursos naturais. A Indústria da moda deve continuar a ser uma parte importante das nossas vidas mas sem comprometer a saúde das pessoas  e do planeta.

O termo Slow Fashion surgiu pela primeira vez pela mão  de Kate Fletcher em 2007 (Centre for Sustainable Fashion, UK). Este é um movimento de moda sustentável que vai fazendo o seu caminho. A sua meta é alterar o ritmo da mudança.

Se pararmos para pensar, não precisamos comprar roupa nova com novos estilos a cada seis semanas, precisamos reflectir sobre o que é realmente importante para nós.

A Slow Fashion tem como missão educar, inspirar e influenciar uma mudança na mundo da moda, encorajando os consumidores a desacelerar e a serem mais conscientes nas suas escolhas. Temos que tomar consciência que a qualidade é mais importante que a quantidade e devemos também cuidar melhor do nosso vestuário.

O Slow Fashion representa o “eco”, “ético” e “verde” num movimento unificado. Carl Honoré autor do “In Praise of Slowness” defende que “uma abordagem Slow intervém como um processo revolucionário no mundo contemporâneo porque encoraja a levar tempo para assegurar uma produção de qualidade, a valorizar o produto e contemplar a ligação com o ambiente.”

Os valores que se pretendem promover, obviamente adaptados a cada situação em concreto são:

  1. Visão Global: É importante que os produtores de Slow Fashion reconheçam que estão interligados com um sistema social e ambiental e que tomem decisões em conformidade. O Slow Fashion encoraja uma abordagem consciente ao reconhecer que o impacto da nossa escolha colectiva afecta o ambiente e as pessoas.
  2. Desacelerar o consumo: Reduzir a utilização da matéria-prima através da redução da produção levará à capacidade regenerativa da Terra, diminuindo a pressão sobre os ciclos naturais.
  3. Diversidade: Os produtores Slow Fashion esforçam-se por manter a diversidade ecológica, social e cultural. A biodiversidade é importante porque oferece soluções à mudança climática e à degradação ambiental. Modelos diversos e independentes são encorajados; designers independentes, roupa em 2ª mão, vintage,vestuário reciclado, o clube local de tricot, troca de roupa em segunda mão são todos reconhecidos pelo movimento. Relevante também a importância dada à valorização e preservação dos métodos tradicionais de manufactura e tingimento, dando sentido ao que vestimos e ao como é produzido.
  4. Respeitar as pessoas: Participar em campanhas e código de conduta podem ajudar a assegurar um tratamento justo a quem trabalha nesta indústria.
  5. Conhecimento das necessidades humanas: Os designers podem ir ao encontro das necessidades humanas, criando ou co-criando vestuário com um significado emocional, ao contar uma história através da peça, convidando o cliente a fazer parte do processo de design. A necessidade de criatividade, identidade e participação podem assim desta forma ser preenchidos.
  6. Construir relações: A colaboração e a co-criação garantem confiança e relações duradouras, o que conduzirá a um movimento mais forte. A chave do movimento passa pela construção de relações entre produtores e co-produtores.
  7. A Slow Fashion encoraja a utilização de matérias-primas e recursos locais sempre que possível. Apoio ao desenvolvimento dos negócios locais e suas competências.
  8. Manutenção da qualidade e beleza: Ao encorajar  o design clássico ao invés de tendências passageiras dá-se um contributo para a longevidade do vestuário, estimulando a criação de peças lindas e intemporais.
  9. Prática de opções conscientes: Isto significa tomar decisões baseadas em paixões pessoais, com consciência da nossa conexão com os outros e o meio ambiente e a vontade de agir conscientemente. No movimento Slow Fashion as pessoas  gostam do que fazem e aspiram a fazer a diferença no mundo de forma criativa e inovadora.

 

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