SLOW FOOD

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Já anteriormente referimos que o Slow Movement se subdivide em várias tendências, uma das quais é o Slow Food, cuja missão principal é proteger as identidades culturais ligadas às tradições gastronómicas.

Uma das formas de valorizar as tradições, é de fazer uma viagem pela história e a origem de cada alimento.

Hoje vamos viajar pela compota de pêssego:

Pêssego, fruto com uma pele aveludada e coloração pálido-cremosa sombreada em vermelho. Originário da China, onde é cultivado pelo menos à 4 mil anos. Daí expandiu-se para o mundo.

Era a fruta predilecta da nobreza, que se encantava com o sabor suave e sumarento da sua polpa. Durante muito tempo, na Europa, o pêssego era vendido como uma especiaria rara.

Vários são os produtos  derivados do pêssego, como por exemplo a compota.

A necessidade de conservar os excedentes da fruta colhida na Primavera e no Verão levaram ao surgimento da compota. Nas noites frias do Outono ou do Inverno, à volta de uma lareira, as populações desfrutavam destas delícias, em amena cavaqueira, muitas vezes acompanhadas com queijo e licor caseiro.

No nosso mundo moderno, temos a tendência para esquecer as mais básicas práticas de conservação dos alimentos, práticas que surgiram quase ao mesmo tempo que a humanidade. Primeiro utilizou-se o Sol, depois o sal.

Deve-se aos árabes, mais especificamente aos povos mesopotâmicos a origem das compotas de frutas, sendo atribuído aos árabes a introdução do açúcar tanto na farmacopeia como na culinária. Inicialmente eram utilizadas para fins medicinais.

Na Europa, esta arte chegou pelas mãos dos Cruzados. O primeiro texto que chegou até nós do que parece ser uma compota, marmelos confitados no mel, remonta aos primórdios da nossa Era, da autoria de Plínio, autor romano do século I. Muitos cientistas e personagens ilustres, desenvolveram este tema, pesquisando e utilizando técnicas que ainda hoje são usadas. Veja-se por exemplo as “Notas de Cucina” de Leonardo da Vinci. (embora muitas destas receitas sejam salgadas, uma vez que o açúcar ainda não era muito utilizado à época.) Contudo a 1ª obra dedicada à arte e maneira de confeccionar compotas e geleias, data do século XVI, e tem como autor, imagine-se Nostradamus (médico, astrólogo e praticante de alquimia), ao ponto da sua geleia de marmelo lhe valer os mais rasgados elogios do papado de Avignon.

Quanto a Portugal, estas eram confeccionadas de forma caseira pelas mulheres, e serviam de sustento às famílias. Mas não se pense que os homens não tinham nenhum envolvimento, pois chegam-nos aos dias de hoje, notícia dos denominados conserveiros, confeiteiros e alfoeleyros. Mas foi nos Conventos e recolhimentos femininos que se expandiu a arte da doçaria e conservaria, a partir do século XVII. Tradição doceira que não mais foi abandonada pela culinária portuguesa.

Com a expansão do açúcar, o doce aumentou a sua popularidade, sendo consumido em ocasiões festivas ou no final da refeição. Mais tarde começou a ser consumido à hora do lanche, e apreciado como um mimo, um presente, hábito que passou a ser comum a toda a sociedade, adquirindo vários significados: status, amor, festa ou sociabilidade. Vasco da Gama foi conhecido por oferecer compotas da Ilha da Madeira.

  1.  1 Kg de pêssegos  bem maduros.
  2.  450 gr de açúcar
  3.  2 paus de canela
  4.  sumo de 1/2 limão
  • Coloque num tacho, a polpa dos pêssegos em pedaços e junte-lhe o açúcar, o pau de canela e o sumo de limão. Vai a lume brando até estar bem cozido durante cerca de 40 a 45 minutos. Mexa de vez em quando.
  • Ferva os frascos para esterilizar, e coloque o doce nos frascos. Tape os mesmos e vire-os com a tampa para baixo para criar vácuo. Deixe ficar assim até arrefecer.
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