SLOW MOVEMENT

slow_life_by_matabiProcuraremos trazer aqui para o blog reflexões e textos publicados por outros bloggers nacionais e estrangeiros. e hoje vou publicar um texto que encontrei ao navegar pelo blog “This slow life”:

“Todos os dias, ao fim da tarde, quando Jane regressa a casa ele segue uma rotina familiar.

Sentindo-se cansada e stressada depois de um típico dia, e frustrada com a sua longa viagem, ela pousa a sua carteira no balcão da cozinha e ajoelha-se. Aí é saudada pelas lambedelas amorosas e abanar de cauda do Buster, o seu Golden Retriever.

Assim que se levanta, agarra na trela que se encontra pendurada à sua esquerda, e aí vão eles para o seu longo passeio. Enquanto o Buster aproveita para fazer as suas necessidades a Jane aproveita para falar com um vizinho, apreciar um gato à caça da sua cauda do outro lado da rua ou ouvir os sons suaves da fonte ao fundo do Bairro.

Mas acima de tudo a Jane tranquiliza-se ao entardecer, reflectindo sobre o seu dia e preparando mentalmente o jantar que vai servir à sua família.

Este é um ritual que a Jane preza. Os seus passeios com o Buster ao entardecer ajudam-na a fazer a ponte deixando para trás o seu trabalho para alegria do seu lar e família. Não importa qual a estação do ano ou a circunstância, ela não se imagina a não fazer o seu passeio.

Quando pensamos em rituais são as cerimónias formais que nos vêm à mente – o banho do bebé, a licenciatura, o casamento. Ou talvez se lembre das cerimónias religiosas semanais a que assiste.

Mas existem um sem número de pequenos rituais que praticamos todos os dias. Pode até ser o que faz antes de entrar para uma reunião importante ou a maneira como arruma as suas ferramentas de jardinagem depois de as utilizar. Ou a sua pequena rotina de colocar o seu chapéu e luvas.

Katie Silcox, uma conceituada instrutora de ioga e de bem-estar certificada, recorda um ritual que apreciava quando visitava os amigos

“Todos os serões eu e a Chrisandra íamos para a cozinha para preparar o jantar. Riamos, dançávamos enquanto cortávamos o alho e verduras, afastávamos os problemas diários. Depois o Rob chegaria e ajudava-nos a por a mesa (toalha, individuais e guardanapos de pano) e então sentávamos-nos e dávamos as Graças. De mãos dadas, velas acessas, uníamos os nossos corações e abençoava-mos este tempo que tínhamos para estar juntos. Parecia sagrado. De uma maneira muito profunda, sentia como se tivesse voltado a casa, e que estava com a família.”

Um ritual é um acto ou uma sequência definida de palavras que focam a sua atenção, têm um significado e trazem um benefício.

Os rituais são comportamentos simbólicos que aliviam a apreensão e trazem uma sensação de controlo. Eles dão-nos prazer e ajudam-nos a estar atentos àquilo que queremos atingir.

Num artigo publicado na Scientific American, Francesca Gino e Michael I. Norton, cientistas do comportamento e professores na Harvard Business School, descrevem a natureza úbiqua dos rituais:

“Os rituais apresentam-se sob uma variedade de formas e feitios. Por vezes são representados de uma forma comunitária ou religiosa, outras vezes são representados de uma forma solitária, por vezes envolvendo uma sequência de acções repetidas, outras vezes não. As pessoas envolvem-se em rituais com a intenção de atingir um sem número de objectivos, de reduzir a sua ansiedade, para aumentar a sua confiança, aliviar a dor, ter uma boa performance em competição – ou até para fazer chover.”

Seja passear o cão, dar acção de graças ou preparar-se para um encontro com alguém que se ama, os rituais trazem significado e sentido às nossas vidas.

Muitos dos nossos rituais irão evoluir ao longo do tempo, e conforme nos formos focando nos ganhos, perderão significado. Alguns rituais irão fornecer-nos uma base para a nossa vida.

Oliver Sacks, um professor de neurologia na Universidade Escola de Medicina em Nova Iorque teve uma educação ortodoxa. Como os adventistas  do 7º dia, os Judeus ortodoxos têm regras severas de como devem viver o seu “Sabbath”.

Eles não trabalham, não usam máquinas de qualquer tipo. Em vez disso , o 7º dia é reservado à sua religião e ao mesmo tempo passado com a família.

Quando cresceu Sacks  afastou-se desta prática principalmente por motivos pessoais. Mas agora aproximando-se do ocaso da sua vida ele relembra o que este ritual significava para ele:

“A paz  do Sabbath, de um mundo parado, um tempo fora do tempo, era palpável, infundia tudo e eu dei por mim encharcado em melancolia, algo como nostalgia, imaginando “e se”. E se A e B e C tivessem sido diferentes? Que tipo de pessoa teria sido? Que tipo de vida teria vivido?

Quer sejam mundanos, como a colocação do nosso chapéu, passear o cão ao fim da tarde ou profundo, como a acção de graças ou cumprindo o Sabath, os nossos rituais trazem-nos estrutura, previsibilidade e ultimamente alegria.”

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