SLOW LIFE – ANO NOVO

Todos os anos depois do Natal e Ano Novo, é positivo tirar algum tempo para reflectir sobre o Ano que acabou de terminar e pensar sobre o que pretendemos fazer no Novo Ano. O que correu mal, o que poderíamos ter feito de outra maneira em ordem a atingir os objectivos a que nos propomos.

No inicio de cada ano aproveito o mes de Janeiro para reflectir sore o ano que termina e estabelecer os objectivos do Ano Novo. Para a semana estamos de volta com muitas novidades.

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SLOW NATAL

 

Ao valorizar o que realmente importa na época de Natal, estaremos a evitar um Natal com excesso de consumo. É importante aprender a consumir com consciência, escolher melhor o produto que vamos comprar e analisar se realmente precisamos dele. É fundamental abandonar o consumo por impulso.

Se formos capazes de alterar os nossos hábitos de consumo, conseguiremos consumir melhor, evitar o desperdício de dinheiro e recursos.

Antes de comprar lembre-se:

  1. O valor dos presentes deve estar relacionado com a criatividade e seu significado. Faça você mesmo, ou então procure comprar nos mercados locais produtos artesanais.
  2. Faça alguma pesquisa antes de comprar, hoje já temos informação sobre quem são os fabricantes ambientalmente responsáveis e que comprovadamente praticam a responsabilidade socioambiental.
  3. Procure embalagens mais simples e reutilizáveis.

 

 

O PERÚ DE NATAL

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E por fim chegamos ao almoço de Natal, que seguindo a tradição costuma ter como visitante o Perú. O hábito de comer o peru no Natal, surgiu na cidade de Plymouth, no estado de Massachusetts,  nos Estados Unidos da América, no distante ano de 1621. No dia de acção de graças desse mesmo ano, foi servido  peru selvagem, criado pelos índios mexicanos, como prato principal.

Foram os Portugueses ou os espanhóis, existindo opiniões divergentes, que o trouxeram para a Península Ibérica, no primeiro quartel do século XVI, da Península disseminou-se por toda a Europa.

Em Portugal, só no século XVI se começou a cozinhar o peru, que só chegava às mesas mais abastadas no inicio, mas acabou por se ir impondo com o tempo a outras mesas menos abastadas, pelo menos uma vez no ano – no Natal.

 

  • Peru
  • Manteiga de ervas (manteiga, arandos secos, alecrim e sálvia, tomilho, pimenta e 1/4 de noz moscada) – deve ser preparada na véspera
  • clementinas
  • raminhos de tomilho
  • ramos de alecrim
  1. Coloque a manteiga à temperatura ambiente, numa taça e junte os restantes ingredientes picados. Misture tudo com as mãos.
  2. Coloque o Peru com as patas viradas para si
  3. Coloque a manteiga de ervas entre a pele e a carne.
  4. Coloque os raminhos de tomilho e alecrim dentro da cavidade traseira do peru.
  5. Enrole o Peru em película aderente, guarde no frigorífico e deixe absorver os aromas e sabores da manteiga durante a noite.
  6. No dia seguinte, retire do frigorífico umas duas horas antes de o começar a cozinhar e desembrulhe.
  7. Corte as clementinas e coloque da cavidade onde na véspera colocou os raminhos.
  8. Ponha o peru numa travessa e cubra com papel de alumínio e leve a forno pré-aquecido no máximo. Quando colocar o perú no forno baixe para 180º .

E assim chegamos ao fim desta pequena viagem pelas tradições gastronómicas de Natal em Portugal, a todos desejo um FELIZ NATAL SLOW, junto de todos os que amam em paz e harmonia.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

SLOW NATAL

Esta semana, continuamos a dar destaque a algumas tradições portuguesas da gastronomia da época Natalina. Mas também queremos deixar alguns motivos de reflexão, que nos poderão auxiliar a encarar o Novo Ano com mais esperança e nos auxiliará  em simultâneo a aprender a viver de uma forma mais Slow, o que como algumas vezes já referimos além de nos trazer benefícios pessoais, beneficiará  todos os que vivem e trabalham connosco.

O significado do Natal nos últimos anos tem sido claramente desvirtuado, dando-se uma importância desmesurada ao consumo desenfreado. O Natal religioso (e não só, uma vez que acredito que todos os homens de boa vontade abraçam estes princípios) celebra o nascimento de Jesus, que de acordo com a Bíblia foi a personificação da bondade, simplicidade e amor. Como se justifica então tanto tempo gasto a comprar, quantas vezes produtos que não precisamos e se pararmos para pensar um pouco, quantos desses produtos são tantas vezes produzidos por pessoas que não recebem um salário justo e por isso.

O que realmente importa é estar presente e não dar presentes. E que melhor presente do que confeccionar a ceia de Natal tradicional para oferecer aqueles com quem vamos passar a consoada, sejam muitos ou poucos.

Por isso hoje vamos falar um pouco na mais tradicional ceia de Natal Portuguesa: O Bacalhau com todos.

slow-natal-bacalhau

O Natal é celebrado em quase todo o mundo, embora as tradições variem de país para país, conforme os usos e costumes. Em Portugal, continuamos a preservar algumas tradições herdadas dos nossos antepassados, que nos remetem para o universo familiar, com a distribuição de presentes e pratos deliciosos degustados calmamente. Na noite de consoada, a maioria, serve na sua mesa o bacalhau cozido com batatas,couve portuguesa, cenouras e ovos, regado com azeite.

Esta é uma tradição, que remonta à Idade Média, quando o calendário da Igreja Católica, impôs os dias de jejum,  o que teve por consequência a eliminação da carne das refeições. O Bacalhau como era barato, passou a ser o alimento escolhido pelo povo para estas festividades. O jejum foi caindo em desuso com o passar dos séculos, mas a tradição do bacalhau manteve-se.

  • 1 cebola
  • batatas
  • cenouras
  • dentes de alho
  • ovos
  • postas de bacalhau demolhado
  • grão de bico
  • couve
  • azeite e vinagre
  • sal a gosto
  1.  Coza o bacalhau, com a pele virada para cima, com a cebola e os alhos.
  2. Prepare as cenouras, a batata e a couve.
  3. Quando o bacalhau estiver cozido, retire-o da água e conserve-o abafado, na água da cozedura, coza as couves, as cenouras e as batatas
  4. No final emprate todos os ingredientes numa travessa e sirva com azeite e vinagre.

roupa-velha-bacalhau-slow-natal No dia de Natal, antes do prato de carne, é costume aproveitar-se os restos da consoada, e assim surgiu a Roupa Velha (a origem deste nome é bem popular.)

  • Bacalhau
  • couve penca
  • batatas
  • cenouras
  • cebola
  • ovos
  • alho
  • azeite
  1. Cortar aos bocados o bacalhau, a couve, as batatas, as cenouras, os ovos cozidos na véspera (as sobras da consoada).
  2. Pique os dentes de alho e a cebola e leve a alourar em azeite.
  3. Junte a este preparado os restantes ingredientes, mexa e deixe aquecer até estar bem quente.
  4. Sirva de imediato.

 

 

 

 

SLOW NATAL

Continuamos em modo de Natal. Os grandes avanços tecnológicos alcançados nas últimas décadas, ao contrário do que poderia parecer à primeira vista, não nos proporcionaram “um ganho de tempo”. Em suma não temos “mais tempo” do que os cidadãos de outras épocas, o que conduziu ao advento da filosofia que tem subjacente tudo o que signifique economia de tempo. Assistiu-se então à proliferação das redes de fast-food que se espalharam pelo mundo fora, principalmente a partir das últimas décadas do século XX.

O Natal, significa o nascimento de Jesus Cristo (para os cristãos). O nascimento significa sempre o começo de uma vida nova, pelo que será que não devemos aproveitar esta altura do ano e repensar e renovar alguns maus hábitos que fomos adquirindo pelo “corre, corre” da vida dos tempos modernos. Devemos aproveitar este tempo de festividades para voltarmos a valorizar as coisas que realmente têm importância. Porque não adoptar uma filosofia voltada para a preservação da satisfação e do gosto, mas dando importância não só à degustação dos alimentos, mas valorizando a sua preparação.

Nesta altura do ano podemos organizar os nossos pequenos “conviviums” em família, degustando os pratos típicos da época, e ao fazê-lo estaremos a transmitir e preservar as tradições. Desta forma, estaremos a contribuir para a preservação dos tradicionais significados culturais da culinária.

Os sonhos, são uma das receitas tradicionais mais populares em todo o país.

Este ano vou fazer sonhos de abóbora. Esta é comprada a uma pequena produtora local a quem costumo adquirir os legumes e frutas.

ABÓBORA: a sua origem não é totalmente clara. Há quem defenda que é originária da Ásia, pois o seu nome aparece citado pelos egípcios. Existem provas que este já conhecida pelos Romanos, “que a misturavam com mel para ajudar a digerir as imensas quantidades de carne que ingeriam nas suas festas. Há ainda quem defenda que esta é originária da América (Central e do Norte, mas que rapidamente se espalhou por todo  mundo. Esta é um elemento essencial na gastronomia das civilizações sul-americanas (Azteca, Inca e Olmeca). Em Portugal, a sua produção foi introduzida após os descobrimentos, quando os Portugueses trouxeram o fruto do Brasil.

Os sonhos são um doce de origem turca, sendo igualmente populares na Grécia, Bulgária, Macedónia, Sérvia. Também são populares na cozinha iraniana e Egípcia.

Não podemos deixar de referir, que além de estarem presentes em muitas mesas de Natal portuguesas, estes ocupam um lugar de destaque na Chanucá (Festa das Luzes), festa judaica de oito dias, que no calendário civil geralmente coincide com o Natal cristão.  Aliás há estudiosos que defendem que a introdução dos doces fritos na nossa  tradição natalina é consequência da  “herança judaica”.

  • 300 gr de abóbora cozida, reduzida a puré
  • 100 gr de açúcar
  • 2 ovos
  • 300 gr de farinha
  • 1 colher de chá de fermento em pó
  • 1 limão
  1. Mistura-se a abóbora com o açúcar, ovos e raspa de limão.
  2. Mistura-se a farinha com fermento e envolve-se no preparado anterior e mexe-se tudo muito bem.
  3. Com uma colher de sopa deitam-se pequenas porções de massa no óleo a ferver. Quando estiverem douradas, retiram-se e escorrem-se.
  4. Passam-se por açúcar e canela.

SLOW NATAL

Estamos a chegar ao Natal, época que nos últimos anos, significa correria, azáfama e stress. Sendo uma época do ano, com tanta simbologia, esta é a altura ideal para tentarmos desacelerar, e procurarmos dar valor àquilo que verdadeiramente interessa: paz; alegria, fraternidade e generosidade. Quer se esteja a celebrar a festa religiosa do nascimento de Jesus, o hanukkah ou de uma forma mais secular, os costumes e tradições de Natal tornam esta época de festas em algo muito especial.

De Norte a Sul de Portugal coexistem vários doces tradicionais de Natal, que na receita, forma e sabor são semelhantes, contudo dependendo de cada região tem nomes diferentes.

Esta semana, vamos falar sobre a origem de algumas destas iguarias, bem como deixar algumas receitas para quem se quiser aventurar na sua confecção.rabanadas-slow-food-natal

RABANADAS (ou fatias douradas, fatias paridas ou de parideira) e FIDALGAS (ou fatias fidalgas, esta é uma variante da receita do Douro e Minho)

Por trás da história das rabanadas, existem muitas lendas e a sua origem é incerta. Conta uma das  lendas que uma mulher pobre que não tinha quase nada para se alimentar a si e ao seu filho recém-nascido, tendo por único alimento restos de pão duro molhados com leite adocicado. Esta teve tanto leite que além do seu filho, alimentou muitas outras crianças. Assim começou a rabanada a ser um símbolo de prosperidade e fartura, sendo servida nas festas de fim de ano. Há ainda outra lenda que conta que todas as mulheres ricas que se tornavam mães, se alimentavam de rabanadas para aumentarem o leite, daí também a denominação que alguns lhe dão de fatia-de-parida ou fatia de mulher parida.

Há quem defenda que estas surgiram na Idade Média, embora seja possível rastrear variantes da receita ao tempo dos romanos, criadas pelos Europeus, que precisavam usar todos os bocados de comida para alimentar a família.  As rabanadas mais não eram do que o aproveitamento de pão velho, (alimento considerado sagrado) humedecido e aquecido. Mais tarde introduziram-se-lhes os ovos (de maneira a introduzir-lhe proteínas).

Não se pense que a sua confecção se cingia às camadas mais pobres, uma vez que estas eram também apreciadas pelos mais abastados. Segundo alguns livros de culinária estes utilizavam pão branco, que eram mais caro, e as crostas eram cortadas, o que os menos afortunados não podiam fazer pela necessidade que tinham de aproveitar todo o alimento.

A Norte do Mondego era conhecida por rabanada e a sul  por fatia dourada.

  • Pão duro
  • 5 dl de leite
  • 1 col. de sopa de manteiga
  • Açucar
  • 1 pau de canela e canela em pó
  • casca de limão
  • 4 ovos
  • Óleo para fritar
  1. Cortar o pão às fatias, com a espessura de um dedo.
  2. Num tacho, junte o leite, açúcar a gosto, a casca de limão e o pau de canela e deixe ferver, ponha de lado para amornar.
  3. Bata os ovos.
  4. Quando o molho estiver morno mergulhe as fatias de pão.
  5. Passe o pão pelo ovo batido.
  6. Frite em óleo bem quente, virando as rabanadas para ficarem douradas dos dois lados.
  7. Polvilhe as fatias com açúcar e canela.

SLOW LIFE

slow-life-post-9-de-dezembroAdoptar um estilo de vida Slow, ao contrário do que possa parecer à primeira vista, é muito simples. Bastam pequenas atitudes, aplicadas com grande sabedoria e consciência. Já referimos anteriormente de o que se procura é restaurar o  nosso equilíbrio natural, de forma a podermos desfrutar da vida na sua plenitude e com isso contribuirmos para o equilíbrio dos outros.

O Slow Life é uma mistura de:

  • alimentação saudável, se possível preparada em casa, com calma e cheia de afecto e sabor.
  • Apreciar cada momento de forma intensa – estar presente de verdade.
  • Respeitar o tempo certo das coisas.
  • Ter tempo para conversar com amigos e conhecidos., sobre a vida ou até sobre coisas sem importância.
  • Valorizar coisas tão simples como por exemplo: olhar o Céu, sentir o vento no rosto, etc.
  • escrever cartas, contar histórias.
  • ter um tempo para não fazer nada.
  • trabalhar menos mas trabalhar melhor.
  • reconcertar-nos connosco.

Em suma DESACELERAR e VIVER.

Referimos acima a importância da alimentação saudável e confeccionada de preferência em casa, levando talvez muitos a interrogar-se como arranjar tempo. Mas há muitas alternativas e pratos saborosos e equilibrados que se se podem confeccionar mesmo por aqueles que têm menos disponibilidade.

“Cozinhar com amor é algo que fornece alimento à alma”  – Preparar as nossas refeições em casa, embora seja uma rotina diária, se feita com amor, pode ser uma das actividades mais relaxantes e gratificantes do osso dia a dia. Pessoalmente é um dos meus maiores prazeres. Pegar nos alimentos, sentir a sua textura, o seu cheiro e a partir daqui criar, é uma arte.

Valorizar a alimentação saudável deve também ser um objectivo, que se alcança procurando informação que nos ajude a tomar as decisões mais adequadas. Há quem ainda pense alimentação saudável é sinónimo de pratos sem sabor ou refeições rotineiras. Nada mais errado, pois a variedade é uma regra a seguir pois só assim se terá acesso  a todos os nutrientes necessários ao nosso organismo.

Sem ter a pretensão de fazer um guia de alimentação saudável, vamos começar a elaborar alguns posts com receitas criadas cá em casa, equilibradas e saborosas, deixando também alguma informação sobre os ingredientes usados.

 

MASSA INTEGRAL: Itália é o país onde mais se consome massa, mas esta é também muito utilizada e apreciada em todos os países Mediterrânicos. Estas servem de base a uma variedade de pratos e refeições equilibradas. São alimentos saudáveis, uma vez que são uma boa fonte de hidratos de carbono,proteínas e tem um baixo teor de gordura. A massa integral é feita com farinhas feitas com cereais que não sofreram um processo de branqueamento, desta forma o cereal integral conserva mais fibra, pois conserva a casca.

FRANGO: boa fonte de proteína magra, que contém nutrientes essenciais: vitaminas, minerais e aminoácidos.

Espinafres: hortaliça com enorme valor fisiológico, rico em vitaminas, minerais em forma de sais, clorofila, oligoelementos e fermentos.

 

SALADA DE ESPIRAIS INTEGRAIS COM FRANGO E ESPINAFRES

  • Cozer o frango, numa panela com sal, cebola e alho, em lume brando.
  • Cozer os espinafres
  • Cozer a massa
  • Numa panela, colocar  os dentes de alho com azeite e deixar aromatizar o mesmo. Depois juntar o frango e os espinafres e saltear. Deixar apurar.
  • Por fim junte a massa e envolva bem. (Juntei  azeitonas).

 

 

 

 

ARTESANATO

artesanato-louca-preta-de-bisalaes-iiO Artesanato faz parte da cultura de um povo, da sua identidade e da sua maneira de entender a vida.

O Artesanato surgiu na pré-história. Os homens nessa época faziam cestos, ferramentas, vasos de cerâmica, roupas, esculturas e outros objectos usando as mãos como ferramenta e os recursos da natureza como matéria-prima. A dimensão histórica, tradicional e popular dá-lhe um significado especial. O seu valor torna-se mais evidente, uma vez que sempre que adquirimos um objecto artesanal sabemos qual a técnica utilizada para o seu fabrico, o tempo empregue e o esforço do artesão, o que não acontece ao comprar objectos produzidos em série. O valor sentimental de uma peça artesanal é exclusivo, uma vez que possui uma componente humana.

 

Na actualidade, os produtos artesanais tem que competir com os produtos industriais, que muitas vezes procuram imitar o aspecto daqueles e que são vendidos a preços inferiores. Embora o artesanato, não consiga ser competitivo em termos económicos, é um modo de produção  com características bem valorizadas. O objecto artesanal é único, é fabricado com esmero, dedicação e normalmente a qualidade é superior à de um produto industrial.

Pelo que só nos pode encher de satisfação  a noticia da distinção recebida pela loiça preta de Bisalhães(aldeia situada na encosta sul da freguesia de Mondões, concelho de Vila Real), distinguida como Património Imaterial da Humanidade, o que irá dar “visibilidade à olaria e preservar a forma de fazer” que está em vias de extinção.  Esta é  um ex-libris de Vila Real,que teve a sua origem à largos séculos atrás, quando as oficinas de oleiros se espalhavam por várias freguesias e constituíam um centro produtor de alguma importância. A loiça era vendida no mercado de Vila Real e pelas povoações e vilas das redondezas, sendo transportada dentro de cestos e acamada com fetos. Hoje esta é vendida principalmente à porta de casa, nos postos de venda à entrada de Vila Real e anualmente na Feira de São Pedro.  Este artesanato servia como moeda de troca para outros produtos, nomeadamente alimentos e peças de roupa.

O Barro negro de Bisalhães, possui uma técnica única e complexa de tratamento. O barro ao chegar à oficina é desfeito e estendido ao sol, para secar. Depois é picado até se desfazer em pó e são removidas as suas impurezas. Após esta operação, junta-se lhe água e os oleiros amassam a mistura com as mãos. O barro depois é trabalhado na roda para começar a tomar forma, o oleiro usa pedras do rio para polir a peça e antes da peça secar o oleiro desenha flores ou outros ornamentos.  A sua cozedura faz-se num chão aberto no chão.

As peças são colocadas em vigas de ferro, que atravessam o forno e são cobertas com rama de pinheiro verde, às quais se ateia lume. De seguida as peças, são cobertas com caruma e terra para abafar o fogo e impedir a libertação de fumo e é este processo que faz com que se obtenha a cor negra, característica destas peças. Após algumas horas o oleiro começa a afastar a terra e tira as peças do forno com uma espécie de gancho, uma vez que estas saem a alta temperatura.artesanato-louca-negra-de-bisalhaes-iii

São produzidos dois tipos de loiça:  a loiça churra que é a loiça utilitária que praticamente não é decorada e a «loiça fina» que de um modo geral tem funções mais decorativas pelo que é decorada. Ainda hoje, as suas peças são utilizadas para cozer alimentos – as louças churras para o forno, assadeiras, alguidares para o arroz e tachos.

artesanato-louca-negra-de-bisalhaes-ivMas a peça que suscita mais curiosidade é a Bilha do segredo. Esta possui um pequeno orifício na base superior, utilizada para beber, mas “esconde” também uma série de aberturas de onde brota água. Para conseguir beber, é necessário tapar um furo escondido atrás da pega e beber o líquido pelo buraco superior, para evitar que a água caia para o chão.

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